segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
-Ponta de saia-
Eu danço em meio ao nada vendo a borda de minha saia. As minhas mãos estão livres e meus ombros leves. Posso sentir o vento entrando pelos meus cabelos. Sou livre nesse instante onde ninguém pode saber quem eu sou. A dança da sociedade é compassada, um ritmo preestabelecido pelos ditames da ignorância. Eu posso dançar e ver a ponta de minha saia negra, eu posso dançar como uma sombra. Eu estarei sempre lá sem ser notado e sem ser incomodado. Eu poderei dançar e ver a ponta de meus dedos e a minha sandália negra. A sociedade para quando a noite cai e ela é dirigida pelos ditames da ignorância, por isso tamanho sono e preguiça em seus corações. Verei minha roupagem negra e os meus pés com sandália negra se moverem pelo vazio do espaço, como uma sombra atrás do objeto, eu serei o reflexo da luz que dança livremente e de olho fechados rodopia em parafuso no ar. Quando não restar mais sombras, nem sono, nem motivo para dormir eternamente, então eu descansarei sobre meus longos cabelos negros como as sombras.
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